Qual é o tamanho do Centrão? Um recorte entre 2002 e 2021

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O chamado “Centrão” é um agrupamento informal de diversos partidos de direita e centro-direita da Câmara dos Deputados, quase todos com perfil fisiológico e inclinados a apoiar qualquer governo de plantão. Apesar dessas características mais ou menos estáveis, qualquer análise histórica sobre o tamanho ou comportamento dessa “bancada” enfrenta muitas fragilidades.

Não há, por exemplo, um indicador claro de que esses partidos tenham participado integralmente e permanentemente desse agrupamento desde 2002. Há entradas e saídas de partidos desse grupo conforme negociações e disputas de cada contexto, e há ainda a participação individual de alguns deputados. Ou seja, o partido pode não integrar formalmente o Centrão, mas o deputado apresenta certa adesão às pautas e votações de interesse desse grupo.

Apesar das fragilidades desse tipo de análise, vai aqui um esforço para tentar mensurar o tamanho do Centrão historicamente, já que, nesse momento, esse grupo tem sido decisivo no apoio ao Governo Bolsonaro. Para isso, considerei a atual composição do Centrão para organizar os dados desde 2002. Atualmente, o Centrão teria em torno de 237 deputados, mas, como alertado, esse número é uma estimativa, com algumas margens de erro dado o caráter informal do grupo.

Considerando o formato atual, o Centrão ampliou o tamanho da sua bancada. Em 2002, esse grupo era formado por 54 deputados. Passou para 97, em 2006, manteve o crescimento nas eleições seguintes, até atingir os 237 atuais (já atualizado após a eleição de 2018).

Para mensurar minimamente o tamanho do Centrão considerei os deputados eleitos em 2018, mas com a atualização das bancadas. Hoje, nesse grupo, temos 11 partidos: PSC, PSL, PP, PL, PTB, Republicanos, Podemos, Avante, Patriota, Solidariedade e PROS. Muitas publicações não consideram PSL como membro do Centrão, provavelmente porque Jair Bolsonaro deixou o partido. Mas o PSL é quem mais vota conforme a orientação do governo, com taxa de apoio de 97%, conforme o “Radar do Congresso“. Além disso, o partido mantém características dos demais membros do Centrão.

É preciso lembrar que se considerarmos o MDB, DEM ou PSD, que no passado recente faziam parte do Centrão, o tamanho do Centrão muda bastante, dado o peso dessas três legendas. Em julho de 2020, DEM e MDB anunciaram a saída do Centrão. Desde o ano passado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tem dito que o partido é “independente” e “não faz parte do Centrão”.

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