O presidente está forte ou fraco?

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As manifestações a favor de Jair Bolsonaro, neste fim de semana (01/05), reacenderam a discussão sobre o tamanho da força política do presidente hoje. O presidente está forte ou fraco? Há diversas formas de responder essa pergunta. Por exemplo, é possível mensurar o número de propostas enviadas pelo presidente para a Câmara dos Deputados e verificar a sua taxa de aprovação. Por óbvio, percentuais elevados sugeririam um presidente forte, com capacidade de articulação e mobilização a favor das políticas que deseja implementar. Vale lembrar que presidentes podem controlar essa taxa, limitando-se a enviar apenas proposições com maiores chances de aprovação entre os parlamentares.

Outra forma de verificar a força política de uma liderança é observar o seu percentual de aprovação na opinião pública, a partir dos dados dos institutos de pesquisa. Percentuais elevados de aprovação facilitam o trabalho do presidente, inclusive, no Congresso Nacional. Suas ações são vistas como mais legítimas, em razão da ampla ou boa avaliação dos eleitores. Existe, portanto, um modelo circular em que as ações do presidente são avaliadas pela opinião pública e os índices de aprovação impulsionam ou não a liderança a seguir em determinada direção, e vice-e-versa.

Neste momento, podemos dizer que Jair Bolsonaro está fraco. Essa afirmação nada tem a ver com força eleitoral futura. Tem a ver com os fatos de um passado recente e que aparecem nas pesquisas de opinião e em alguns atos públicos do presidente. Não podemos confundir, vale lembrar, funções e atribuições do cargo como força em si. A força presidencial também não resulta do seu simples desejo.

A força presidencial decorre da sua capacidade de mobilizar. Mas e as ruas? As ruas são um fragmento do apoio do presidente. Têm força discursiva porque geram imagens, percepções, em especial porque operam num vazio em que oposição, em respeito aos protocolos de saúde, não está nas ruas.

As pesquisas de opinião HOJE, por outro lado, mostram um patamar elevado de reprovação. Seus cerca de 30% de aprovação são desprezíveis? Não. Mostram alguma resiliência? Sim. Mas nada parecido com janeiro de 2019.

A capacidade de mobilizar hoje em baixa pode ser vista também na política institucional. CPI criada; seguidas derrotas no Supremo Tribunal Federal e uma base de apoio parlamentar nem tão fiel assim. Presidentes fracos, ainda que momentaneamente, enfrentam maior dificuldade de mobilizar as instituições e seus atores.

Faça o seguinte exercício. Se estivesse flutuando de tanta força, o presidente não buscaria agitar as ruas, não demonstraria um alto interesse em afirmar que o “povo” está com ele; nem liberar o cofre das emendas. É justamente porque vislumbrou fraqueza que ele se move para retomar ou estancar a baixa neste momento.

Com relação à eleição do ano que vem, muito cuidado. O presidente tem um núcleo duro que jamais o abandonará? Sim. Essa base tem força para deixa-lo competitivo ou empurra-lo para o segundo turno? Sim. Mas coloque uma variável aí. Precisamos ver quem serão os demais competidores e como estará a aprovação do presidente em 2022.

De novo, HOJE e estritamente HOJE, os sinais são de fraqueza. Nada indica que assim permanecerá ou que vai piorar ou melhorar. Governo e opinião pública não são entidades estanques. Funcionam associados, são mutualmente dependentes. O momento pior hoje estimula a tomada de decisões que possam mudar a aprovação no curto e médio prazo. O erro de ontem se reflete nos índices piores de hoje.

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