Deputados reduzem 68% dos gastos com cota; agora comunicação lidera despesas

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Adotado por conta da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o distanciamento social alterou o funcionamento de empresas, escolas, comércio e também as rotinas do Congresso Nacional. Desde o fim de março, 13 dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar estado de pandemia, a Câmara dos Deputados passou a realizar sessões virtuais, por meio de vídeo conferência, para evitar a aglomeração de deputados e funcionários.

A mudança acabou impactando as despesas com a cota parlamentar que cada deputado tem direito para pagar, por exemplo, passagens áreas, combustível, aluguel de veículos entre outros serviços. No acumulado entre janeiro a maio deste ano, os deputados já apresentavam uma redução de 42% nos gastos pagos com a cota. Isso não significa corte definitivo, já que a verba não utilizada agora poderá ser usada em outro momento.

A redução das despesas pagas com a cota foi mais acentuada no acumulado entre abril e maio, meses em que todas as sessões da Câmara foram virtuais. Nesse período, a queda foi de 68%, no comparativo com os mesmos meses de 2019. Na soma de abril e maio, os gastos caíram de R$ 37 milhões para R$ 11 milhões, segundo dados extraídos até ontem (01/06) da Câmara dos Deputados. (Os valores ainda podem mudar porque cada parlamentar tem até 90 dias para pedir o ressarcimento das despesas).

Divulgação de atividades vira prioridade

A adoção das sessões virtuais levou os deputados a redirecionarem as despesas pagas com as cotas. Entre maio e abril de 2019, cerca de 30% dos gastos, ou seja, cerca de R$ 11 milhões, foram para a compra de “bilhetes aéreos”. Este ano, no mesmo período, essa despesa despencou para R$ 67 mil. Com isso, esse tipo de gasto passou a representar pouco mais de 0,6% dos desembolsos de abril e maio somados.

Agora os deputados priorizaram os gastos com a “divulgação da atividade parlamentar”, que passaram a representar 39% das despesas (R$ 4,5 milhões). Entre abril e maio do ano passado, os gastos com divulgação consumiram mais (R$ 7 milhões), mas representavam menos, 21% das despesas dos parlamentares, segundo maior desembolso.

A “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar” passou a ocupar o segundo lugar como o maior gasto dos deputados (18% ou R$ 2 milhões). Mesmo sem poderem participar de eventos públicos, os deputados gastaram cerca de 16% (R$ 1,8 milhões) das despesas de maio e abril com a “locação ou fretamento de veículos”. Os desembolsos com “consultoria, pesquisas e trabalhos técnicos” consumiram R$ 1,7 milhões, quarto maior gasto do período.

Quem gasta mais com comunicação

Embora apresentam gastos totais menores com a “divulgação de atividade parlamentar” no acumulado entre maio e abril deste ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado, o cruzamento dos dados mostra quem tem priorizado mais esse tipo de desembolso.

Pelos dados da Câmara, o deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) tem a maior participação das despesas entre os parlamentares com “divulgação de atividade parlamentar”: 1,7% (R$ 77 mil). No mesmo período do ano passado, Patriota já liderava esse tipo de despesa entre seus colegas. O deputado do PSB de Pernambuco é seguido por Willington Roberto (PL-PB), com participação de 1,6% (R$ 74,6 mil) nas despesas com divulgação e Mara Rocha (PSDB-AC), com 1,2% (R$ 55 mil).

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