A votação de Flávio e Jair Bolsonaro nas zonas eleitorais com presença ou não de milícias no Rio

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A operação de combate às milícias, realizada pela Força-Tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio, na terça-feira (22/01), acabou revelando mais detalhes da relação de Fabrício Queiroz e do senador Flávio Bolsonaro (PSL). Um dos presos na operação, acusado de participar de milícias na Zona Oeste do Rio, tinha a mãe e a esposa nomeadas no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio. Flávio alega que Queiroz foi o responsável pelas indicações, embora, quem de fato autoriza contratações de funcionários sejam os deputados.

Enquanto as investigações avançam, organizei dois gráficos para entender como foi a votação de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro na cidade do Rio de Janeiro, considerando as informações que temos sobre áreas com presença de grupos de milicianos¹. Os dados foram organizados segundo a proporção de votos que cada um deles obteve nas respectivas zonas eleitorais do município em relação aos demais candidatos. Como cada zona abrange mais de um bairro, a classificação “presença ou não de milicianos” considera a presença parcial, isto é, em apenas um dos bairros da zona eleitoral, ou total, quando todos os bairros de cada zona eleitoral têm presença de milicianos. (Confira mais abaixo a tabela com a listas das zonas e as classificações)

Os dados indicam que das 10 zonas que Flávio e Jair Bolsonaro obtiveram maior proporção de votos quatro são de áreas com presença de milicianos. Tanto Flávio quanto Jair Bolsonaro obtiveram maior proporção de votos na Zona Eleitoral 120, classificada com presença de milicianos. A ZE 120ª reúne os bairros de Campo Grande e Senador Vasconcelos. (clique na imagem para ver o gráfico interativo)

flavio

Embora os dados indiquem alguma relação entre votos e presença das milícias é preciso observar duas coisas. A primeira é que esse cruzamento não considera o voto de cada pessoa, mas o resultado agregado das votações nas zonas, o que dificulta afirmar que o voto de cada eleitor foi em função da presença ou não de milicianos nos bairros das zonas eleitorais. Pode haver eleitor que votou assim, como pode haver eleitores nessas áreas que votaram por outros motivos que não sabemos.

O segundo ponto a ser observado é que o fato de haver quatro zonas entre as 10 com maiores proporções de votos para Flávio e Jair Bolsonaro não permite afirmar que eles tiveram amplo apoio de milicianos. Vamos lembrar que eles também foram bem votados em outras seis zonas eleitorais entre as 10 com maiores votações.

zonas

¹ Mais sobre o mapa das milícias no Rio: http://especiais.g1.globo.com/rio-de-janeiro/2018/mapa-das-milicias-do-rio-de-janeiro/

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