Campanha eleitoral: jovens buscam informações pelas redes e TV; mais velhos preferem a televisão

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A dúvida persiste. Será esta eleição a mais digital que já tivemos? Antes mesmo do início do horário eleitoral na televisão, nove em cada dez pesquisadores em comunicação política e comportamento eleitoral faziam esse pergunta. Qual seria o impacto da internet, em especial, das mídias sociais na produção e disseminação de informação eleitoral e, mais, como isso afetaria as preferências dos eleitores?

Há dois grupos de pesquisadores. Aqueles para quem a internet seria decisiva neste pleito, e outro grupo, para quem o início do horário eleitoral na televisão mostraria o peso do modelo clássico de comunicação política. Nunca fui muito inclinado para um ou outro lado. Tenho defendido que vivemos, na verdade, um processo de transição no modelo de comunicação política que começou em 2010 e ainda está em curso.

É, sem dúvida, um processo disruptivo, porque ele quebra com o que conhecíamos até então na relação entre usos da televisão e preferência eleitoral. Mas ainda tenho muitas dúvidas se partimos para um modelo completamente novo ou, como tendo a crer, estamos conformando um modelo híbrido, no qual internet e televisão serão centrais porque jogam papel muito mais complementar do que de substituição. Enquanto a televisão é ocupada com a programação jornalística da cobertura eleitoral, debates, entrevistas, a internet cumpre o papel de dinamizar a disseminação desse e de outros conteúdos que, frequentemente, não entram na agenda da televisão.

A última pesquisa DataFolha, divulgada dia 10/09, perguntou aos eleitores quais os meios mais frequentes que eles utilizam para obterem informações sobre os candidatos a presidente. No geral, os “programas jornalísticos de televisão” foram os mais mencionados com 35%, seguidos do “Horário eleitoral na TV”, com 28%, “Notícias em jornais ou revistas na internet”, com 22%. Na quarta posição, mas não muito distante, vem “Notícias no Facebook”, com 21% das preferências.

Aparentemente, jovens operam disseminação da TV para as mídias sociais

A relação entre meios para se informar e faixa etária voltou a mostrar que os jovens estão mais inclinados a usar meios digitais para se informar, quando comparados com os mais velhos, no entanto, os jovens também têm buscado informações na televisão (horários eleitoral e programação dos telejornais). Não há diferenças muito significativas entre as faixas etárias quando os entrevistados responderam que preferem “programas jornalísticos de televisão” e o “horário eleitoral na TV”.

Mas, aparentemente, há diferenças quando o meio de informação é digital, como internet e Facebook, nesse caso, com uma maior preferência entre os mais jovens. O curioso desse dado é que ele sugere que os jovens são hoje os personagens que podem estar fazendo a migração dos conteúdos da TV para o meio digital, que eles usam mais intensamente, indicando o papel de complementaridade desses dois modelos de comunicação. Não devemos esquecer, no entanto, que muito do conteúdo gerado por veículos tradicionais também disputa espaço nas redes com os produtores do mundo digital.

faixa_etaria

 

O recorte por escolaridade mostra não haver diferenças entre eleitores com escolaridade fundamental, média ou superior quando a resposta é “programas jornalísticos de televisão”.  O horário eleitoral na TV, no entanto, mobiliza um pouco mais os eleitores com formação fundamental e média, caindo um pouco no extrato com formação superior. O uso da internet e ou Facebook cresce à medida que o eleitor tem maior formação escolar.

regiao

 

Já a distribuição das respostas por região do país apresenta o seguinte padrão. Eleitores do Norte e Centro-Oeste preferem mais programas jornalísticos de televisão. O percentual apresenta tendência de queda à medida que avança para a região Sudeste, Nordeste e Sul. Mesmo assim não diria que seja uma diferença forte entre as regiões. No caso do horário eleitoral na televisão, os percentuais são maiores nas regiões Norte e Nordeste, e um pouco menores no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O uso da internet e do Facebook, por sua vez, apresenta distribuição aparentemente equilibrada entre as regiões. Ou seja, mesmo preferindo mais programas jornalísticos e o horário eleitoral, a população do Norte e Nordeste tem participado das redes. Mais uma indicação do papel complementar desses dois modelos de comunicação.

escolaridade

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