Um sistema menos poroso e mais eficaz do que imaginam os outsiders

Publicado por

Resultado de imagem para congresso nacional

As notícias que chegam do front eleitoral sugerem o quanto tem sido difícil decifrar o momento atual. Desde o fim do ano passado, o que mais se ouvia era a tal expectativa por renovação no Congresso e no comando do Executivo Federal. As análises se baseavam em pesquisas de opinião que apontavam uma forte descrença dos eleitores nos partidos e, por consequência, nos possíveis candidatos que poderiam emergir no campo político tradicional. A Lava-Jato havia minado o sistema tradicional. Fala-se, portanto, “da vez dos outsiders“.

O tempo passou e os acontecimentos da pré-campanha vêm dando sinais aparentemente contraditórios. Haverá alguma renovação, porque existem grupos na sociedade buscando isso, mas, ao que tudo indica, a renovação não será no nível das expectativas dos eleitores. Será provavelmente menor ou talvez dentro do que tem sido registrado historicamente entre 40% e 50%.

A primeira razão para essa hipótese é que o mercado eleitoral precisa oferecer candidatos competitivos; e a segunda é que esses candidatos precisam vencer a barreira das organizações políticas tradicionais.

Talvez a evidência mais consistente seja a dificuldade dos outsiders interessados em disputar a Presidência da República. Dos nomes com potencial de mobilizar eleitores, nenhum conseguiu vingar. Doria, Barbosa e Huck expressam bem a batida frase de que uma disputa presidencial não é para qualquer um.

Desde 1989, momento em que o Brasil experimenta a sua primeira eleição presidencial com voto direto, sob a lógica da campanha televisiva e sem eleições casadas nos estados, o sistema político se institucionalizou, criou uma cultura, estabeleceu barganhas e definiu como deve funcionar. Há questão objetivas.

Sem partido com capilaridade nacional, sem tempo de TV e recursos financeiros abundantes torna-se quase impossível enfrentar a disputa presidencial. Nesse sentido, há um desestímulo a candidaturas de outsiders. Mesmo quando tratamos da campanha para a Câmara dos Deputados há barreiras visíveis. O fundo público de financiamento das campanhas vai destinar recursos para os partidos que, como sabemos, são controlados pela elite política tradicional. É ela que vai decidir onde e como gastar o dinheiro de campanha. Não esperem inovação aí.

O segundo desestímulo à entrada de outsiders remete ao velho Max Weber. Política é para quem tem vocação. O cálculo de alguns candidatos expressa bem essa dificuldade. “Deixar o emprego, o bom salário e o sossego da família para encarar a pressão da vida pública?”. Vocação não nasce do dia para noite.

O cenário indica portanto que a campanha eleitoral de 2018 caminha para uma adaptação ao modelo que se institucionalizou nos últimos 30 anos. Ele é menos poroso do que a expectativa do eleitor expressa nas pesquisas de opinião, e mais eficaz do que imaginam os outsiders.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s