Pobres com Lula e Marina; ricos com Bolsonaro e Barbosa. A relação entre renda e intenção de voto

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Uma alerta! Até o início oficial da campanha eleitoral no dia 16 de agosto, tudo que está escrito neste post poderá ter valor zero. O quadro da atual disputa presidencial é tão complexo que qualquer tentativa de compreender como o eleitor pretende decidir o seu voto tem grande chance de mudar nas próximas semanas. A indefinição da candidatura do ex-presidente Lula, ou mesmo, quem ele pretende indicar, caso não possa participar, tem poder de produzir inflexões significativas nas intenções de voto. Adicione ainda a propaganda e os debates na televisão que poderão influenciar o quadro.

Bom, feita essa ressalva, peguei dois cenários da última pesquisa DataFolha, divulgada no domingo, para analisar algo mais específico, no caso, a relação entre intenção de voto e renda. O objetivo foi verificar a associação entre uma variável clássica nos estudos de comportamento eleitoral e sua relação com a intenção de voto nesse momento de indefinição. A depender dos candidatos, como sabemos, essa variável pode ter força explicativa no comportamento do voto, sugerindo o segmento onde o competidor é forte e onde precisa buscar novos eleitores.

O Cenário C do DataFolha, que considera Lula na disputa, apresenta a seguinte distribuição. As intenções de voto do ex-presidente caem conforme cresce a renda do eleitorado. Bolsonaro (PSL) tem distribuição exatamente inversa. Marina Silva (Rede), por sua vez, apresenta curva semelhante à de Lula. Suas intenções de voto perdem força à medida que cresce a faixa de renda. Esse padrão talvez explique o movimento que vem sendo feito pela candidata para falar com grupos econômicos do país na última semana.

Nos dois gráficos, mantive a escala de intenção de voto de cada participante. Dessa forma, as curvas não representam percentuais equivalentes entre os candidatos. Fiz isso para ter uma melhor visualização da inclinação das curvas, objeto da análise. Portanto, para ter uma leitura mais precisa atente para os percentuais nas faixas de renda, que apresentam diferentes magnitudes entre os candidatos. Importante lembrar também que há a imprecisão natural desses dados em função das margens de erro da pesquisa.

Joaquim Barbosa (PSB) e Alckmin (PSDB) apresentam curva parecida, com distribuição de voto que cresce junto com a renda dos eleitores. Essa associação é, contudo, um pouco menos clara quando comparada com a curva de Bolsonaro, por exemplo. A relação entre intenção de voto e renda não é tão direta para o caso de Ciro Gomes (PDT). Ele tem uma distribuição levemente inclinada para às maiores rendas, mas registra também percentuais nos grupos com renda média e baixa.

Um dado muito importante nesse primeiro gráfico é a distribuição dos eleitores que afirmaram votar em branco/nulo ou não sabem em que vão votar. Os percentuais são maiores nas faixas de menor renda e caem à medida que a renda sobe. O desenho da curva é muito semelhante à de Marina e Lula e merece destaque por uma segunda questão: a maior parte do eleitorado brasileiro está nas menores faixas de renda. Se esse grupo mudar de opinião, provavelmente, teremos inflexões nas intenções de voto mais à frente.

CenarioC

Bom, como há grande chance de Lula não poder participar da disputa, fiz o mesmo gráfico considerando o Cenário F, que apresenta os candidatos que hoje tendem a estar com o nome na urna em outubro. Esse é um exercício de análise que precisa ser ponderado sempre, porque não sabemos o que acontece nesse quadro se o ex-presidente e o PT decidirem lançar um outro candidato. Portanto, cautela, cautela e mais cautela.

Sem a participação de Lula, a relação entre voto e renda apresenta pouca ou quase nenhuma mudança, sugerindo que a renda pode ajudar a entender como os eleitores se movimentarão nos próximos meses. Marina e Bolsonaro apresentam no Cenário F distribuição inversa. Enquanto ela vai bem no grupo de menor renda e perde fôlego à medida que a renda sobe, o ex-capitão do Exercício melhora o seu desempenho à medida que melhora a renda dos eleitores.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, mantem uma curva semelhante, com desempenho melhor quando a renda do eleitor sobe. Nessa rodada, Alckmin e Ciro Gomes apresentam, aparentemente, uma distribuição sem um direção específica, ou seja, sem uma relação muito clara entre intenção de voto e renda. Como no quadro anterior, os eleitores que afirmam votar branco, nulo ou não sabem apresentam curva sem muita mudança. Esse grupo está concentrado nas faixas de menor renda e cai à medida que a faixa salarial aumenta.

CenarioF

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