A rede da preferência musical de quem ouve Roberto Carlos no Spotify

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A experiência musical é sempre muito particular. Cada pessoa tem sua história com canções, artistas e também está sob influência das ondas de cada época. Mas no mundo digital, cada experiência pode ser mapeada, gerando uma espécie de historiografia musical daqueles que usam serviços de streaming. Quando reunimos tudo isso, podemos montar as redes do gosto musical e suas conexões.

Coletei recentemente dados do Spotify com informações sobre as escolhas das pessoas quando passam a ouvir músicas do cantor Roberto Carlos nessa plataforma. Ou seja, com esses dados podemos mapear quais as bandas e cantores que os usuários que curtem Roberto Carlos também passaram a ouvir. A base traz ainda a popularidade dos artistas, um índice que varia de 0 a 100 e que é criado pelo Spotify.

A coleta gerou uma base com 586 artistas. Claro que ninguém ouve outros 586 cantores e bandas, além de Roberto Carlos. Esse valor é a soma das preferências. Algumas pessoas curtem mais dois ou três artistas, outras podem gostar de cinco ou mais. Para simplificar, apresento, na imagem abaixo, apenas os artistas com popularidade acima de 65, uma classificação bastante alta da sua importância no Spotify. Como é possível notar, quem gosta de Roberto Carlos tende a gostar também de artistas que estão no topo da popularidade no Spotify, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Legião Urbana, Tom Jobim e a dupla Bruno e Marrone.

popularidade_nova

Mas e quanto à importância dos artistas na rede das preferências? Dos 586 cantores e bandas, chegamos a uma rede com mais de 6.303 conexões. Elas indicam aqueles artistas que os usuários do Spotify, que escutam Roberto Carlos, também costumam ouvir. Para entender melhor o conjunto dessas experiências, produzi um segundo grafo, que leva em conta não a popularidade, como vimos na primeira imagem, mas a força da sua proximidade. Quanto maior, mais chances temos de identificar comunidades dentro da rede. Além disso, filtrei os nomes dos artistas que apresentam grau de conexão entre 40 (mínimo) e 62 (máximo). Ou seja, aqueles com maior importância dentro da rede.

Como é possível ver, a imagem abaixo mostra os artistas com mais grau de conexão e quatro comunidades com alta similaridade dentro dos grupos.  A cor lilás, à esquerda, representa 25% de toda a rede. Nela temos o que poderíamos chamar de grupo da MPB/Bossa Nova, com Caetano Veloso, Maria Gadú e Antonio Carlos Jobim com alto grau de conexão.

À direta, na cor verde claro, com 18% da rede,  está o grupo que poderíamos classificar como o mais mesclado da rede. É nele que está Roberto Carlos, mas não como cantor da primeira preferência dos usuários, porque esse recorte fazemos quando coletamos os dados. Aqui Roberto aparece como o segundo artista na preferência dos usuários que curtem, por exemplo, Amelinha, Maria Bethânia, Elis Regina, entre outros.

À direita e abaixo, em azul, está o grupo de artistas estranheiros que também fazem parte do cardápio de preferências dos usuários da plataforma Spotify que gostam de Roberto Carlos. Esse grupo representa 15% de toda a rede.

Mais abaixo, em marrom, e com 11% de participação na rede, temos o grupo dos cantores sertanejos.  No topo do grafo,  em verde escuro, está o grupo do Rock Nacional, como Nando Reis, Legião Urbana e Jota Quest. Apesar de formar uma comunidade, os artistas desse grupo apresentam grau de conexão menor que 40, por isso, nesta segunda imagem, seus nomes não aparecem. Esse grupo representa apenas 7% da rede.

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Embora necessite de outros testes, os dados da rede formada a partir dos usuários do Spotify que curtem ouvir Roberto Carlos mostram como esse cantor mobiliza gostos e preferências bem distintas. Quem admira as músicas do Rei ouve também rock nacional, música sertaneja ou mesmo MPB e Bossa Nova. Mas esses grupos estão claramente separados na rede, com comunidades bem definidas, o que demonstra o grau de similaridade dos artistas desses grupos, segundo as escolhas dos usuários do Spotify.

Como disse, a experiência musical de cada um é, por definição, algo bem particular, mas, ao que tudo indica, a depender do artista, podemos identificar uma variedade de públicos que ele consegue mobilizar. No caso de Roberto Carlos, ele atrai a preferência tanto daqueles que gostam de música sertaneja, como daqueles que ouvem Tom Jobim ou bandas do rock nacional. Talvez por isso explique porque ele ainda é chamado de Rei da música popular brasileira.

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