E a eleição para governador no Rio, hein? O que sabemos até agora

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Palácio Guanabara

Eleições nacionais “casadas”, como as que ocorrem no Brasil, costumam afetar as dinâmicas das disputas locais. A atenção e o volume de informações sobre o pleito nacional tendem a deixar em segundo plano o que ocorre nos estados. O curioso é que as negociações dos partidos e candidatos em nível estadual estão vinculadas à formação do grid de largada nacional. É pouco provável que uma candidatura a presidente da República, a não ser o caso dos outsiders, seja lançada sem qualquer relação com as negociações das forças políticas nos estados.

Em nível local, portanto, os eleitores sabem mais o que acontece no plano nacional sobre a formação das candidaturas do que quem são os possíveis candidatos ao governo do estado e o que eles pensam sobre os problemas do dia a dia da população. Esse déficit informacional estimula certamente um processo de decisão do voto em dois níveis, embora eles não estejam claramente dissociados. Primeiro pensamos no possível presidente para só então discutir quem preferimos para o governo do estado. Só que os possíveis candidatos nos estados não surgirão após a escolha dos candidatos a presidente, eles são parte do processo de negociação em curso.

Feita essa observação, o que podemos dizer da conjuntura política-eleitoral no Estado do Rio de Janeiro? O Rio hoje representa talvez o melhor exemplo do colapso do campo político no país, com resultados ainda imprevisíveis. Aqui temos o enfraquecimento da força de organização dos principais partidos, fim do ciclo de algumas lideranças, crise financeira do estado e uma forte espiral de violência. O fluminense tem razão de sobra para estar desanimado e sem esperança. É nesse clima que iniciamos o ano eleitoral.

Listei abaixo os principais fatores da conjuntura política e eleitoral do Rio, não como um exercício de futurologia do resultado das urnas, mas como uma tentativa de chamar a atenção para o imbróglio que estamos. É a partir da conjuntura que podem surgir pistas do perfil de candidatura com potencial de chegar ao Palácio Guanabara.

O PMDB (ou MDB)

A principal força política do estado do Rio está no chão. Seus líderes, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, estão presos. Não há sinais de que tenham alguma possibilidade de liderar o processo eleitoral. Mesmo que isso ocorra, especialmente no caso de Picciani, seu poder de atração das demais forças políticas está longe do que foi nos últimos 20 anos.

Fora da prisão, a principal liderança ainda no PMDB fluminense é o ex-prefeito Eduardo Paes. Há informações de que ele não deseja continuar no partido. Paes tem interesse em disputar o governo do Rio, mas concorrendo por outro partido. Resumo: sem a principal força partidária na disputa, a eleição do Rio tende a ser como no plano nacional, mais pulverizada, com muitos candidatos de partidos médios com chances de chegar ao segundo turno.

O PMDB ainda será fundamental? A legenda ainda controla 18 prefeituras, 20% do total. Esses municípios representam 16% de eleitores do estado. É menos do que o PMDB já controlou um tempo atrás e, a meu ver, insuficiente hoje para catalizar forças políticas e votos suficientes para fazer diferença nas eleições. Visto por outro ótica, a do tempo de televisão, no entanto, o PMDB pode ainda ser um ator importante na disputa, não pela força do seu candidato em si, mas pelo peso da sua estrutura no nosso modelo de campanha. Ou seja, sua força estaria hoje mais nos seus atrativos extrapartidários.

EVANGÉLICOS

Esta é um fator não desprezível no cenário carioca. O número de evangélicos no país cresceu 61% entre 2000 e 2010. Eles já representam cerca de 22% da população, algo próximo de 42 milhões de pessoas, tomando por base o Censo 2010. No Rio, há um crescimento acentuado desse segmento, sobretudo nos municípios da Baixada Fluminense. Embora existam diferenças e disputas entre igrejas evangélicas, esta é uma força com capacidade de influenciar a disputa pelo governo. Apesar de não sabermos com precisão sua influência na eleição da capital em 2016, o fato é que o Rio tem hoje um prefeito evangélico, sem falar dos deputados e vereadores com entrada nesse segmento religioso.

AGENDA

Ao que tudo indica, a disputa no Rio deverá ser organizar em torno de três agendas. Crise econômica e financeira do estado, violência e corrupção. A agenda de uma campanha ajuda o candidato a construir seu discurso. No caso de candidatos mais identificados com o governo, a agenda exige que eles saibam responder por que chegamos aqui, qual o seu grau de responsabilidade e como sairemos da atual situação. É uma posição mais descontável porque ser identificado com o governo ou com as forças políticas que dominam o estado desde então aumenta a chance de não ser ouvido pelos eleitores que hoje, majoritariamente, rejeitam o governo.

Para os candidatos de oposição, os temas da agenda servem para construir discursos de responsabilização do governo e do seu grupo político. Com isso, buscam se diferenciar. Mas isso não basta. Precisam explicar como resolveremos esses problemas. Se usarem um salto duplo twist carpado retórico, o discurso pode soar inverossímil.

CANDIDATURAS

Listo os nomes que já foram ventilados como possíveis candidatos ao governo do Rio. Como não há confirmação oficial e, como disse, pouca definição e informação precisa sobre esse quadro, caio aqui justamente no que sinalizei acima: não sabemos de quase nada por enquanto.

Eduardo Paes (PMDB ?): talvez seja a candidatura mais certa até aqui. Não sabemos ainda se vai encarar a campanha pelo PMDB, com todos os seus custos políticos. Se fizer isso, pode assumir o papel de liderança do partido no estado, o problema é que isso não necessariamente está associado com vitória nas urnas.

Bernadinho (NOVO): o ex-técnico de vôlei da seleção brasileira é apontado como um possível nome. Bernardinho se desfiliou do PSDB no ano passado e ingressou no partido Novo, legenda que daria abrigo para a sua candidatura ao governo. Vai enfrentar, logicamente, a falta e infraestrutura do partido.

Anthony Garotinho (PR): o ex-governador já sinalizou que deve ser candidato novamente ao governo do Rio pelo PR.

Indio da Costa (PSD): deixou o governo do prefeito Marcelo Crivella para tentar o governo do Rio pelo PSD. Conta com a possível ajuda da estrutura da Igreja Universal.

Denise Frossard (PPS): tem sido cotada para concorrer ao governo do Rio pelo PPS.

Tarcísio Motta (PSOL): o vereador no Rio foi o nome escolhido pelo PSOL para concorrer ao governo do estado. Ele participou da eleição de 2014, quando Luiz Fernando Pezão foi eleito governador.

Cesar Maia (DEM): o ex-prefeito do Rio foi lançado pelo filho, deputado Rodrigo Maia (DEM) como o candidato ao governo do Rio. Maia não confirmou ainda a decisão, mas é provável que o DEM tenha candidato próprio. Rodrigo Maia chegou a ser cotado para disputar, mas não voltou a falar mais do assunto publicamente.

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