O efeito do julgamento de Lula na sua curva de intenção de voto desde 2015

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Na próxima semana, o Tribunal Regional da Justiça Federal (TRF) da 4ª Região (Porto Alegre) vai julgar a apelação do ex-presidente Lula, no caso do Tríplex. Lula foi condenado pelo juiz de primeira instância, Sérgio Moro, a nove anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sessão no TRF tem sido considerada decisiva para as pretensões do ex-presidente de concorrer a mais uma eleição. Mas quem entende do assunto considera que, mesmo condenado, Lula poderá concorrer valendo-se de recursos em outras instâncias da Justiça.

Por curiosidade, organizei a série de dez pesquisas realizadas pelo DataFolha desde 2015 com o cenário hoje mais provável das candidaturas a presidente. A intenção foi verificar o que aconteceu nessas curvas de intenções de voto desde que Lula foi levado para prestar depoimento coercitivamente, ou seja, desde que o caso ganhou uma maior visibilidade nacional e também após a condenação em primeira instância.

O primeiro levantamento do DataFolha é de 17 de dezembro de 2015, quase três meses antes de Moro determinar a condução coercitiva de Lula, no dia 4 de março de 2016. Vejam que após o depoimento, o ex-presidente apresentou forte inclinação negativa na sua curva de intenção de voto. Mas, logo em seguida, recupera-se e passa a registrar intenções de voto sempre crescentes. A exposição do caso, como é possível notar, teve efeito positivo para o ex-presidente. Ele partiu de um patamar de cerca de 17% após o depoimento para a casa dos 22%. E não parou mais de subir.

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A ex-ministra Marina Silva, da Rede, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentam curvas decrescentes de intenções de voto desde o depoimento de Lula. Comportamento semelhante pode ser observado também para os percentuais de eleitores que afirmaram votar Branco/Nulo. Este grupo representava 17%, chegou a subir após o depoimento do ex-presidente, mas voltou a cair, atingindo 13% em dezembro passado. No caso de Marina o baque foi mais forte. Ela partiu de 24% no início da série para apenas 10% em dezembro passado.

Jair Bolsonaro (PSC), por sua vez, não apresenta um crescimento imediato após o depoimento de Lula. Sua curva de intenções de voto só começa a apresentar inclinação positiva no fim de 2016. Antes disso, ele registrou percentuais que variaram dentro da margem de erro. Entre dezembro de 2016 e abril de 2017, no entanto, Bolsonaro passou de 8% para 14%, depois registrou 16% em julho de 2017. Desde então tem variado dentro da margem de erro, com pico de 18% no fim do ano passado.

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