O comportamento das redes dos cinco principais candidatos a presidente

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Dados extraídos de mídias sociais sofrem inúmeras interferências que dificultam utiliza-los como um indicativo do estado de uma disputa eleitoral. O viés mais comum é o perfil socioeconômico dos usuários das mídias, além, e principalmente, do grau de interesse por política/eleição.

Essas duas características podem refletir diretamente as intenções de voto de um candidato, no caso de um competidor com um perfil de eleitores concentrados em determinado extrato social e engajados politicamente; ou distorcer fortemente o que vemos no mundo offline, justamente porque o candidato mobiliza eleitores que não necessariamente se empenham em participar nas mídias sociais.

Feita essa ressalva, a análise do comportamento das mídias sociais serve hoje mais para entendermos como os eleitores têm interagido com as redes dos candidatos. Se serão ou não potenciais eleitores, isso é uma outra questão. O fato é que ter uma rede extensa e participativa pode ser um elemento favorável numa campanha que tende a ser mais e mais digital, apesar da formação de bolhas ideológicas ou, diria, bolhas de interesses comuns, que limitam o alcance de outros eleitores.

Coletei os dados das redes do Facebook de Bolsonaro, Lula, Marina, Ciro e Alckmin, considerando os dez últimos posts que publicaram até este sábado (16/12). O objetivo foi observar o comportamento dessas redes e como elas interagem entre elas. Inicialmente, vamos ver apenas a rede de Bolsonaro e Lula. Cada grupo de cor reúne os dez posts dos candidatos, enquanto as linhas que conectam a cada centro representam os usuários que interagiram com as publicações (curtiu, comentou, compartilhou, reagiu).

Pelos dados, as duas redes são compostas por 144 mil usuários. Destes, podemos identificar 145 mil interações. Cerca de 83% da rede está conectada a Bolsonaro, e 16% está vinculada a Lula. Esse dado reflete o que já sabemos de outras postagens. O candidato do PSC tem uma rede consolidada e bastante atuante, sem entrar no mérito aqui se parte desses usuários são bots ou pessoas pagas para participar.

rede_lula_bolsonaro

No grafo acima, é possível observar que há mais integrantes da rede de Lula interagindo com a rede de Bolsonaro do que o contrário. Não podemos dizer qual é o tipo de interação, mas é provável que seja mais no sentido de criticar e combater as postagens do candidato do que o contrário. Tambem é possível observar  que as bolhas estão claramente formadas nos dois grupos. Há mais usuários interagindo dentro da própria rede do que com a rede oposta

A rede completa com os cinco candidatos a presidente em 2018 envolve 178 mil usuários do FB, e tem a seguinte distribuição. As postagens produziram 182 mil interações, das quais, aproximadamente 4 mil, foram de pessoas que participaram de mais de uma rede. Novamente, há formação clara de bolhas para cada candidato.

O algoritmo usado para formar a rede tende a colocar no centro as mais importantes, em razão do total de seguidores e número de interações, e mais para as bordas as redes com menos peso. Com isso, podemos dizer que 67% da rede com os cinco candidatos é mobilizada pela rede Bolsonaro. A segunda mais importante é de Lula, com 11%, seguida por Marina (10%), Ciro (8%) e Alckmin, com 3%.

rede_mesclados_todos

 

 

O grafo acima mostra que a rede de Ciro Gomes e Lula apresentam uma forte interação entre eles. São usuários que interagem com as duas redes. A de Marina Silva também interage com a rede de Bolsonaro, Ciro e Lula e, em menor intensidade, com a rede de Alckmin.

Por fatores ideológicos, é provável que redes que interagem com candidatos com perfis muito distintos, caso de Lula e Bolsonaro, ou Marina e Bolsonaro, tendem a ter um comportamento mais crítico com essas postagens. No caso de candidatos que se apresentam como do mesmo campo ideológico, caso de Lula e Ciro, a participação de usuários nas duas redes pode ser tanto de crítica, para evitar a candidatura oposta, como a de apoio, em razão da identificação ideológica.

A despeito dessas características, chama atenção o baixo número de usuários da rede de Bolsonaro que interagem com outras redes. É um grupo bastante coeso, que não se preocupa com o que estão dizendo os demais candidatos. Essa talvez seja uma das explicações do domínio de Bolsonaro nessa mídia social. São seguidores com um grau de convicção e empolgação aparentemente mais forte que as demais redes.

Em um próximo post vou apresentar o que chamo de “taxa de entusiasmo” dessas redes. É uma tentativa de olhar esses redes e os dados que podemos tirar delas a partir de outros cálculos.

 

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