Os 4 fatores para identificar candidatos com potencial eleitoral

Publicado por

eleicoes

Se tudo caminhar dentro do previsto, provavelmente teremos novos governadores, deputados federais, estaduais e presidente da República daqui a um ano. Antes disso, veremos um festival de potenciais candidatos pipocando no noticiário. É a chamada pré-campanha que, de certo modo, foi antecipada no Brasil.

Nessa fase da disputa, os potenciais candidatos a presidente se movimentam no cenário político buscando chamar a atenção da imprensa, dos institutos de pesquisa, eleitores e, principalmente, da direção dos partidos. Se cair no gosto desses agentes, o candidato tem boa chance de se viabilizar eleitoralmente.

Nada disso garante ser eleito em outubro de 2018. Até lá, teremos campanha eleitoral de fato no rádio, TV e internet. E teremos ainda o imprevisível. Portanto, nenhuma pesquisa agora dá a real dimensão eleitoral de um candidato. As sondagens são hoje um ponto de partida, mas nunca um ponto de chegada. A campanha, quando começar oficialmente, terá a missão de perturbar as “preferências” eleitorais divulgadas hoje.

Entre a pré-campanha e a campanha oficial, no entanto, teremos o momento de afirmação das candidaturas. É quando partidos assumem publicamente quem serão os candidatos. Como analisar mais ou menos o potencial de cada um? Todo candidato a presidente da República precisa de alguns recursos para ser competitivo. Listo aqui os principais deles e que podem nos ajudar a interpretar o potencial dos competidores.

Recurso Político: Em um país com as dimensões geográficas do Brasil é preciso que o candidato tenha aliados políticos, como lideranças importantes e, principalmente, partidos. Os partidos viabilizam recursos financeiros e tempo de televisão para o candidato, outros dois recursos não desprezíveis que comento a seguir. Quanto mais o candidato demonstra capacidade de unir diferentes partidos, mais ele é visto com candidato forte, por mais que possamos, evidentemente, discutir a qualidade de determinados parceiros. O fato é que, nesse cálculo de perde e ganha, dependendo dos parceiros, ainda é muito determinante a capacidade de o candidato atrair partidos e lideranças. São eles que também farão campanha para os candidatos, e quanto mais espalhados pelo Brasil, melhor.

Recurso de Mídia: Candidatos com bom tempo de televisão têm mais chances de expor seus argumentos e contrapor os argumentos dos adversários. Um tempo de televisão maior que dos adversários transmite também a percepção da força de uma candidatura. É claro que quanto maior o tempo na televisão, mais cara é a campanha e maior o desafio de ocupar e bem o tempo de TV. Coisa para os marqueiros resolverem.

Recurso Comunicativo: Consiste na capacidade ou potencial do candidato produzir argumento verossímil. Nesse sentido, o competidor tem que ser não apenas bom comunicador, mas alguém que consiga identificar como os eleitores percebem o “estado do mundo atual”, que pode ser “ruim, péssimo, bom ou muito bom” e, a partir daí, produza argumentos para mobilizar a esperança dos eleitores. Pode existir candidato que sabe identificar essas percepções, mas a sua comunicação não ajuda; ou que tem boa comunicação, mas dissociada da agenda dos eleitores.

Fica claro, portanto, que não é apenas o candidato e sua campanha os responsáveis pela “produção” de um “estado do mundo atual” e pela conexão entre candidato-esperança dos eleitores. Os meios de comunicação jogam um papel fundamental aqui porque são eles, especialmente a televisão, que ajudam o eleitor a construir mais ou menos uma percepção geral de como está a sua vida e do restante da população. Isso ocorre no momento anterior ao início da campanha. E ainda tem o fator “identificação”. Existem candidatos que, pela própria história de vida política, são mais ou menos identificados com determinados temas/agendas que os eleitores querem ver resolvidos ou atendidos. Quanto mais uma agenda é predominante, mais ela ajuda este ou aquele candidato identificado com o assunto da agenda.

Hoje é possível identificar três agendas que estarão na campanha de 2018: crise econômica e perda de direitos; descrença dos partidos e políticos tradicionais; e corrupção. Essas agendas ajudam candidatos identificados com temas sociais e crescimento econômico, bem como aqueles que se apresentarão “contra tudo isso que está aí”; ou que se afirmarão como “os mais ético de todos eles”. Existe ainda uma outra agenda que é a da “polarização política” que pavimentará o discurso dos que buscarão  “unir o Brasil” ou que se apresentarão como aqueles “acima das brigas”.

Recurso Financeiro: Campanha eleitoral demanda recursos financeiros para bancar o gasto com produção para TV, rádio e também a internet. Até a eleição de 2014, os partidos podiam contar com uma imensa soma de dinheiro que migrava legal e ilegalmente de grandes empresas. Desde 2015, isso foi proibido. Como alternativa, o Congresso criou o Fundo de Financiamento da Democracia, que vai distribuir até R$ 2 bilhões. Haverá ainda recursos do Fundo Partidário. Não sabemos ainda o impacto disso. Será que é muito ou pouco dinheiro? Será que os partidos vão insistir no caixa 2? Como mobilizar os eleitores a ajudar financeiramente os candidatos quando vivemos uma forte descrença dos partidos? Esses são desafios para aqueles candidatos com poucos recursos ou com pouca entrada entre os mais ricos. Para os candidatos mais ricos ou pelo menos com mais entrada na elite econômica do país esse não é, necessariamente, um problema.

 

Rumo ao Recurso Comunicativo 2.0?

Pronto, a partir de agora comece a observar os candidatos para ver quem tem mais ou menos a seu favor esses quatro recursos. Alguém poderia lembrar que, candidatos com pouco tempo de televisão, logo, poucos aliados partidários, podem ter alguma chance em um cenário de comunicação direta via internet e redes sociais. Sim, este é um fenômeno relativamente novo que ainda vem sendo estudado.  Talvez 2018 seja um teste para sabermos o quanto as redes sociais ou a comunicação via internet são fatores com força de potencializar candidatos ou se seus efeitos continuarão restritos aos usuários mais engajados. A descrença nos partidos tradicionais e a percepção de “todos são ladrões” ajudam candidatos descolados dos partidos, assim como aqueles com habilidade de comunicação. Será que a descrença generalizada, candidatos de fora dos meios tradicionais e a comunicação direta produzirão engajamento a ponto de também mobilizar recursos financeiros para bancar essas candidaturas? Hoje tendo a achar que isso é mais aposta do que realidade, considerando o cenário brasileiro. A conferir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s